18 de julho de 2011

Predisposição do Bulldog Francês à Dermatite Atópica.


O bulldog francês pode desenvolver vários problemas de pele, um deles, prevalente nessa raça, é a dermatite atópica (dematite por inalação).

Essa predisposição tem como causa principal fatores genéticos, isso porque juntamente com os genes das características visíveis, são repassados também genes "invisíveis" (aqueles que, apesar de presentes, não se manifestaram no animal, mas que podem sim afetar seus descendentes).

A dermatite atópica afeta 10% dos cães nos países desenvolvidos. É mais frequente em animais jovens, de raças geneticamente predispostas ao problema, caso da raça bulldog francês.

A atopia canina é definida como uma predisposição genética para o desenvolvimento de alergias a fatores ambientais. É hereditária, porém, suas causas exatas ainda são desconhecidas.

Um dos motivos prováveis seria a ocorrência de uma alteração da barreira cutânea, tornando a epiderme mais permeável, fazendo com que a penetração de alérgenos seja mais fácil.

dermatite-bulldog
Fonte: Sindrome Dermatite Atopica Canina: consenso
O aparecimento da doeça também está relacionado ao ambiente em que o animal vive, pois isso determinará a facilidade com que o cão irá se expor aos alérgenos e ser sensibilizado a eles. 

Em 70% dos casos, a doença ocorre entre as idades de 1 a 3 anos, podendo, em alguns casos, ser observada entre 4 meses a 7 anos.

A dermatite atópica é uma doença cutânea, alérgica, inflamatória e prurítica, sendo que os alérgenos mais comuns que podem causar essa dermatite são: ácaros, pólens, fungos e pulgas.

Há várias formas de sintomatologia, a tabela a seguir mostra as formas clássica, grave e atípica da dermatite atopica segundo Preláud (2005):

Obs: Para aumentar a imagem e ter uma melhor visualização é só clicar em cima daquelas que você deseja ler

formas tipicas-dermatite atopica

formas atipicas dermatite atopica
Fonte: Infecção cutânea no doente atópico canino
Sinais Clínicos:
  • Coceira excessiva;
  • Pele avermelhada ou quebradiça nas áreas afetadas, resultado da lambedura repetitiva;
  • Pele pode apresentar-se ulcerada, espessa e escura;
  • Mal cheiro, decorrentes de infecções secundárias.
Bulldog francês com dermatite atópica
 As áreas mais afetadas são o focinho, orelhas, extremidades e/ou ventre, podendo uma aréa apenas estar acometida ou uma combinação delas.
Métodos para o Diagnóstico:
  • Raspado cutâneo;
  • Citologia cutânea;
  • Testes imunológicos (serve apenas para identificar o alérgeno e não a atopia especificamente);
  • Sorologia.
A tabela abaixo demonstra quais são os critérios clínicos para o diagnóstico da dermatite atópica de acordo com Willemse (1986, 1988):

Fonte: Infecção cutânea no doente atópico canino

Antes de fechar um diagnóstico de dermatite atópica, deve ser feito também um diagnóstico diferencial, excluindo:
  • Dermatite alérgica à picada de pulgas;
  • Alergias Alimentares;
  • Sarna sarcóptica;
  • Outras infestações por ácaros que causem prurido;
  • Foliculite bacteriana prirítica;
  • Dermatite a malassezia.

Tratamento:

Considerando a natureza crônica e repetitiva da dermatite atópica, é essencial o estabelecimento de uma boa comunicação com o proprietário do cão.

O objetivo principal é ajudá-lo a realizar o tratamento corretamente para que ele consiga resultados positivos e continue motivado, pois esse tipo de dermatite apresenta períodos de crises, intercaladas com períodos de remissão, assim, a cada nova crise há o aspecto do estresse que o dono passa, podendo achar que o tratamento não está funcionando.

O tratamento inclui vários procedimentos, como evitar o contato do cão com os alérgenos, a utilização de antiinflamatórios, imunoterapia e terapia antimicrobiana.

A escolha de cada tratamento varia de cão para cão, e os veterinários podem optar por combinar os passos da terapia de acordo com a sua percepção da importância relativa que os fatores desencadeantes têm no desenvolvimento da doença.

Deve haver um controle da infecção cutânea, assim como o uso da terapia com corticosteróides de curta duração. O tratamento a longo prazo é variável, adaptado individualmente conforme a gravidade da doença e os principais fatores etiológicos envolvidos.

tratamento dermatite
Fonte: Sindrome Dermatite Atopica Canina: consenso
Outras formas de tratamento incluem a utilização de ácidos gordos essenciais, tratamentos tópicos, e controle minucioso dos parasitas externos, já que cães com dermatite atópica têm maior predisposição em desencadear a dermatite por picadas de pulgas.

O tratamento da dermatite atópica é permanente, sendo feito o controle da doença e suas crises.

A qualquer sinal de coceira intermitente e vermelhidão leve seu frenchie logo ao veterinário!



Referencias:

5 comentários:

  1. obrigada pela materia que nos ajuda muito a como vencer esses problemas dos cães e, questão...
    E se todos fizessem como voce... nosso País seria muito melhor.
    grata!

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    Respostas
    1. Olá Almeida,

      Obrigada!!! O objetivo é sempre ajudar! fico muito feliz quando isso acontece! ;)

      Abs,
      Gabi.

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  2. Olá Li o artigo porém já utilizei algumas desses cuidados como o teste de raspagem , antibióticos e shampoo Cloresten antifúngico e antibacteriano . Substitui a ração por uma alimentação natural porém estou em dúvida e desanimada , pois não sei mais o que fazer ! Minha cadelinha é super bem tratada e sempre está limpa , vacinada , vermifugada . Poderia me ajudar ? Obrigada

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  3. Olá ! Tenho uma cadelinha de 1 ano Já fiz diversas tentativas como raspagem de pele, o qual deu negativo,tomou antibióticos por 1 mês e depois levei a uma dermatologista a qual deu mais 1 mês de antibióticos e um xampu chamado Cloresten antifúngico e antibacteriano , já substitui a alimentação por natural ao invés de ração , mas mesmo assim não sara e estou desanimada. O único lugar que a vejo coçar é próximo do pescoço mas lá não há nenhuma lesão . O local onde mais tem são nas costas para a barriga , onde há mais pelos , e se formam com aspecto de espinhas mas se mantém secas . Cuido muito bem da minha cadelinha , sempre está limpinha .Estou desolada , o que mais poderia fazer ?

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  4. Meu filhote tem um ano e oito meses, já com 4 meses apresentou os sintomas, sofremos muito até encontrar um veterinário que acertasse a medicação. Meu filhote ficou quase sem pelo, pele muito vermelha e teve até febre. A aparência era de fazer chorar, pensei que não teria mais jeito.Hoje ele tem algumas recaídas, mas não fica mais como ficou da primeira vez. Ele renasceu graças ao Dr. Eduardo e muito amor.

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