8 de julho de 2011

Úlcera de córnea ou Ceratite Ulcerativa em cães


buldogue frances de oculos
Fonte: ultradog.com.br
A Alana adora brincar com gravetos, ela chega até ser fascinada por isso. Então a gente leva ela sempre para brincar, joga os gravetos e ela sai correndo para buscar. Um dia depois de eu ter levado ela, notei que um dos olhinhos estava um pouco inchado (na hora até achei que fosse de sono, pois ela tinha acabado de acordar), não tinha inflamação nem nada, mas notei que ela não deixava tocar.

Final da tarde o olho inchou mais um pouquinho, então lá fui para o veterinário. Deu para notar que ela estava com dor, ela não deixava tocar de jetio nenhum. A veterinária aplicou uma gotinha de um corante específico e veio o diagnóstico:  Úlcera de córnea superficial.

Ela receitou um colírio e uma pomada antibiótica para passar 2 vezes ao dia por 7 dias. No mesmo dia já passei os remédios e aí sim começou a sair o pus. Tadinha... mas não foi muito fácil nos três primeiros dias passar os remédios, depois ela acabou acostumando e até deixava, depois de uma semana eu retornei ao veterinário e ela estava curada!

As raças braquicefálicas, como o buldogue francês, são suscetíveis a ocorrência de úlceras de córneas, pois seus olhinhos mais proeminentes e sua falta de focinho (essa falta faz com que na hora de cheirar coisas, brincar, enfim, acabe fazendo com que tudo toque o olho) facilitem a ocorrência de traumas.

A úlcera de córnea ou ceratite ulcerativa é uma das doenças oculares mais comuns em cães, levando, comumente, à perda da visão.
olho
Olho canino (NANO, 2006)
A córnea é a porção óptica mais resistente do olho em virtude de possuir uma interface ar-tecido, nos cachorros, ela é transparente, avascular, incolor, de contorno circular e dividida em quatro camadas:

* Epitélio;
* Estroma;
* Membrana de descemmet;
* Endotélio.
camadas da cornea do cachorro
Camadas da córnea (CACECI,2006)

As úlceras são classificadas de acordo com sua profunidade em:

*Superficiais ou Refratárias: Ocorre o envolvimento somente da camada do epitélio corneal. Usualmente são pequenas e resultantes de traumas mecânicos;
*Profundas: Ocorre envolvimento da camada estromal. São geralmente de formas ovaladas ou arredondadas, de margem abrupta e circundadas por edema;
*Descemetocele: Pode ser resultado de trauma ou de outra úlcera que aprofundou rapidamente. É comum em raças braquicefálicas, como o frenchie. O risco de perfuração é grave;
*Ruptura ou perfuração corneal: Normalmente resultado de ferimentos por objetos pontiagudos ou laminados, freqüente também como resultado de uma úlcera anterior que sofreu perfuração.

As úlceras corneanas possuem diversas etiologias, e antes de se iniciar o tratamento, deve-se tentar identificar a causa primária. Ela exibe uma ampla variedade de causas , mas o trauma é, provavelmente, o mais comum.

Outras causas também incluem:
  • Causas mecânicas: Abrasões, corpos estranhos, queratites de exposição, entrópio (a pálpebra se vira sobre si mesma contra o globo ocular), arranhadura por gato e anormalidades dos cílios como:
*Triquíases - presença de cílios com o sentido de crescimento anormal;
* Distiquíases - Presença de cílios extra ou supranumerários que crescem no orifício da glândula meiboniana ou próximo à ela;
* Cílios ectópicos.
  • Causas Químicas: ácidos ou shampoo irritante no olho;
  • Anormalidades Palpebrais: Entrópio (pálpebra invertida levando em contato dos pêlos com a mucosa), ectrópio (pálpebras evertidas levando à exposição da mucosa), lagoftalmia (impossibilidade de fechar por completo as palpebras de um ou dos dois olhos), exoftalmia (protuberância do olho anteriormente para fora da órbita), buftalmia (malformação congênita caracterizada por uma distensão do globo ocular);
  • Paralisia do nervo facial;
  • Doenças do filme lacrimal;
  • Causas Infecciosas: infecções bacterianas (possivelmente precedidas de um trauma inicial), infecções micóticas como aspergilose e candidíase;
  • Causas Secundárias: ceratoconjuntivite seca, degeneração celular endotelial corneal, ceratopatias bolhosas e ceratopatias neurotróficas (paralisia de um ramo do nervo trigeminal).
Sinais Clínicos:

Podem ocorrer:

*Dor;
* Piscar constante;
*Ficar coçando e esfregando os olhos;
*Secreçao ocular;
*Fotofobia (não consegue manter os olhos abertos na claridade);
* Inchaço;
*Vermelhidão dos olhos,
*Pode aparecer uma mancha opaca (nublada) na superfície do olho.

Diagnóstico: 

As úlceras de córnea podem não ser visíveis claramente, retardando sua identificação, podendo ocorrer, assim, o agravamento da lesão.
O diagnóstico pode ser feito pelo veterinário com uma boa iluminação e a realização do teste da fluresceína (é pingado um corante, se houver qualquer lesão irá aparecer).
Pode ser feito também a prova do teste lacrimal de Schirmer para avaliar a secreção lacrimal, inclusive para diferenciar da ceratoconjuntivite seca.
Outros testes também têm utilidades para o diagnóstico da úlcera de córnea, como a cultura bacteriana, raspados de córnea e outros métodos de coloração.
ulcera
Úlcera de córnea após o teste de fluoresceína (MORGAN, 2006)


No Próximo post: Tratamento da úlcera de córnea em cães


Continua...

          
Referências:


1. CALVINO, H. C. J. P. Úlcera de Córnea em Cães. São Paulo, 2006. ;
2. www.bulldogsworld.com ;
3. www.2ndchance.info ;
4. www.findavet.us ;
5. www.petplace.com ;
6. www.worldclassgsd.com ;
7. www.petmedsonline.org

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