17 de agosto de 2011

Alergia Alimentar Canina.


Os buldogues franceses, por serem intolerantes a diversos componentes das rações (como por exemplo grãos), e, também, por terem o sistema gastrointestinal muito sensível, costumam apresentar esse tipo de alergia, são vários  os casos de frenchies com alergias alimentares.  

Estima-se que 15% da população canina sofra de algum tipo de alergia. A hipersensibilidade alimentar (HA), alergia alimentar ou dermatite trofoalérgica, inclui-se entre as dermatopatias de origem alérgica e, na espécie canina, é a terceira em importância quanto à frequência, dispondo-se logo após a dermatite alérgica à picada de pulgas e à dermatite atópica.




A HA é uma das condições que mais estressam animais, proprietários e médicos veterinários. Alguns estudiosos acreditam que a HA pode ser a causa de 1% de todas as dermatoses observadas na clínica de pequenos animais, enquanto que outros investigadores postulam que essa enfermidade represente entre 23 e 62% de todas as dermatoses alérgicas não sazonais

A alergia alimentar é comumente notada antes dos 6 meses de idade. Porém, alguns autores citam que pode ocorrer em qualquer idade. Nenhuma predileção por idade ou por sexo foi comprovada na HA canina. A maioria dos pesquisadores não encontrou também uma predileção racial.

A hipersensibilidade alimentar é uma reação orgânica adversa aos alimentos que envolve, no seu mecanismo etiopatogênico, uma resposta alérgica. A fisiopatologia exata da alergia alimentar ainda não está bem estabelecida.

Acredita-se que haja o envolvimento das reações de hipersensibilidade dos tipos I, III e IV e que as habituais fontes protéicas e de carboidratos encontradas na alimentação constituem os principais agentes alergênicos.

Embora o mecanismo patológico da HA seja obscuro, as reações de hipersensibilidade do tipo I são bem documentadas no homem, havendo suspeitas quanto às reações dos tipos III e IV. As reações “imediatas” e “retardadas” a alimentos foram presenciadas em cães e gatos.

A reação imediata, ou seja, hipersensibilidade do tipo I, ocorre de minutos a horas após a ingestão, enquanto que a reação retardada, ou hipersensibilidade tipo IV, ocorre dentro de horas a dias após a ingestão.

Existem dois tipos de reação adversa ao alimento: Uma reação imunomediada de alergia ao alimento e uma reação não imunológica de intolerância ao alimento.

As reações adversas aos alimentos podem ter uma base imunológica ou podem se desenvolver sem o envolvimento do sistema imune (intolerância alimentar), tendo esta última, vários tipos diferentes de reação, como:

  • Reações de toxicidade;
  • Reações de idiossincrasia;
  • Reações farmacológicas e metabólicas. 
Fonte: Pet allergys
Em muitos casos, a intolerância e a hipersensibilidade podem coexistir em um mesmo paciente.

A reação imunológica presente na alergia alimentar é similar àquela promovida pela defesa do organismo contra agentes infecciosos ou outros que lhe possam causar danos.

Acontece, ainda, uma desordem cutânea pruriginosa e não sazonal, associada presumivelmente ao material antigênico presente na dieta, e quase exclusivamente causada por proteínas e peptídeos, que escapam à digestão e são absorvidos intactos através da mucosa.

Sinais Clínicos:

Não há um grupo de sinais patognomônicos para a HA no cão ou gato. Podem ser observadas diversas lesões cutâneas primárias e secundárias nessa patologia, como:

  • Pápulas;
  • Pústulas;
  • Urticária;
  • Eritema;
  • Escoriações, escamas e crostas.
  • A queixa principal é o prurido (coceira), este é não-sazonal e pouco reativo aos glicocorticóides.
Qualquer cão com prurido não-sazonal, particularmente se forem afetados face, pés ou orelhas, ou ainda piodermatite recorrente pode apresentar possivelmente uma reação alimentar adversa subjacente.

Localização preferencial das lesões
Fonte: Vets-in-practice

O prurido pode ser localizado ou generalizado e, normalmente, atinge orelhas, membros, região inguinal ou axilar, face, pescoço e períneo. Comumente há lesões papulares no abdômen e nas axilas, ou uma foliculite pustular pruriginosa com ou sem a presença de colaretes epidérmicos.

Fonte: Cachorro verde
Além disso, um eritema intenso, urticária, seborréia ou otite externa poderá ocorrer como manifestação singular de uma alergia alimentar. Ocasionalmente sinais gastrintestinais, como diarréia e flatulência, podem ser observados, e também sinais respiratórios, como a rinite, espirros e asma.

Alimentos que podem causar alergias:

Todos os alimentos podem ser potencialmente alergizantes, apesar de, na prática, serem as proteínas as causadoras mais freqüentes.

Em virtude dos hábitos alimentares, as substâncias alergizantes variam. É essencial diferenciar os trofalérgenos dos ingredientes responsáveis pelas reações não imunológicas (lactose, responsável por sintomas de deficiência de lactase), alimentos ricos em histamina ou liberadores desta (alguns peixes, crustáceos, embutidos, chocolate, etc.).

Os trofalérgenos são os alérgenos alimentares, onde dentre os principais estão a soja, leite de vaca, ovo, peixes, cereais como o trigo e a cevada, glúten, frutas e legumes, aditivos e corantes. 


 Em geral, os trofalérgenos são proteínas de peso molecular variando de 10.000 e 60.000 dáltons, que não são desnaturadas após o tratamento pelo calor, um ácido ou proteases.

Os alérgenos mais comuns nos cães são: proteína bovina e de frango, o leite, o ovo, o milho, o trigo e a soja. Mais comumente, o alérgeno é uma glicoproteína presente no alimento e esta pode se tornar identificável apenas após a digestão ou o calor e preparo do alimento. É desconhecido se ocorre a sensibilização na mucosa intestinal ou ao alérgeno absorvido.

Diagnóstico:

O padrão da distribuição anatômica das lesões, assume grande importância no raciocínio clínico, para o encaminhamento do diagnóstico. Porém, este importante parâmetro não pode ser utilizado quando se abordam os casos de DAPP, HA e atopia.

O diagnóstico definitivo passa pela realização de uma prova de privação do alérgeno, utilizando um regime à base de proteínas “puras” (preparadas ou industriais), seja um regime hipo ou analogênico a base de hidrolisados de proteínas, seguido de provas de desafio.

Antes de colocar em prática o regime de privação (dieta de exclusão), é necessário assegurar-se da cooperação do proprietário. A duração e as finalidades dessa etapa diagnóstica e a necessidade de implicar toda a família devem ser compreendidas antes de se iniciar o regime.

É igualmente necessário controlar uma eventual infecção digestiva, com a ajuda de um tratamento adaptado. A dieta escolhida precisa ser oferecida exclusivamente.

A profilaxia de vermes cardíacos ou suplementos intercorrentes não devem conter extratos flavorizantes alimentares.


Diagnóstico diferencial, consiste em descartar:

 O diagnóstico diferencial entre as dermatites alérgicas deve ser feito com base em “algumas regras” como primeiramente eliminar as infecções presentes, tratando as piodermites, nunca tentar diagnosticar HA ou atopia na presença de parasitas.

Do mesmo modo, não se deve utilizar corticosteróides durante a eliminação do parasita (DAPP) e durante a dieta de eliminação, pois não será possível elucidar se a melhora do quadro foi conseqüência da medicação ou da eliminação do fator que se está investigando.

Caso o quadro seja extremamente agressivo, deve-se optar pelo uso de corticóides, por via oral, na menor dose e, exclusivamente nos primeiros 7 dias de eliminação das pulgas, ou da dieta. Nunca esquecer que o animal pode apresentar mais que uma dermatite alérgica associada.

Tratamento:

Depois de confirmar um diagnóstico de alergia alimentar, o proprietário tem duas opções:

  • Continuar com a ração de eliminação comercial para sempre;
  • Manter uma dieta caseira, que deverá ser apropriadamente balanceada.
Uma variedade de dietas protéicas limitadas e diferentes está hoje sendo preparada por diversas empresas, e são muito atraentes porque são convenientes e nutricionalmente completas.

Fonte: Cachorro verde
Se o animal não conseguir tolerar uma ração comercial, pode-se usar uma dieta preparada em casa, que consista de uma fonte de proteínas e carboidratos suplementada com vitaminas e minerais, sem aditivos.

Prognóstico:

O prognóstico é bom, porém em cães de difícil controle deve-se excluir a possibilidade de hipersensibilidade a um ingrediente da dieta hipoalergênica, infecções secundárias, escabiose, demodicose, atopia, DAPP e dermatite de contato.

De qualquer forma, outras alergias alimentares podem se desenvolver mais tarde e todo o processo diagnóstico pode ter que ser repetido.


Referências:


1. Pedigree
2. Happy Dog Brasil
3. Fernandes, M. E. Alergia alimentar em cães. Universidade de São Paulo: Faculdade de saúde pública. São Paulo, 2005.
4. P.S. Salzo, C.E. Larsson. Hipersensibilidade alimentar em cães. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.61, n.3, p.598-605, 2009.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada por participar do blog e compartilhar sua opnião!

Ao deixar seu comentário você automaticamente autoriza sua reprodução e publicação.

Não serão publicados:

- Comentários que contenham ofensas ou palavrões;
- Comentários que não tenham relação com o post em questão;
- Comentários Anônimos;
- Propagandas em geral.

Leia os Termos de Uso do blog.