15 de agosto de 2011

Halitose (mau hálito) em Cães.


A Halitose, designação científica para mau hálito, pode ter várias causas, e não deve ser encarada tão despreocupadamente, pois é sempre sinal de alguma alteração.

Muitas vezes os proprietários relatam que o cão ou gato tem odor desagradável, mas não conseguem definir sua origem. Assim, cabe ao veterinário identificar se provém da boca, conduto auditivo, olhos, pêlo, pele ou região genital. Após definido a origem do problema, passa-se a análise de suas causas.

halitose-mau halito-caes

Foi verificado que os cães mais predispostos a esses problemas são os braquicefálicos (bulldogs, pugs) e raças pequenas (poodles, shih-tzu). 

Os sinais que o cão apresenta incluem:
  • Cheiro ruim da cavidade bucal;
  • Relutância em ingerir alimentos firmes (devido a dor e desconforto);
  • Emagrecimento e possibilidade de febre;
  • Arranhadura da boca com as patas.
Existem várias razões que levam ao odor desagradável da cavidade bucal:
  • A retenção de restos de alimento que podem se manter presos a língua ou dentes e iniciar decomposição é uma causa comum do problema;
  • Dietas que envolvam alto teor protéico podem levar a fermentação do alimento no estômago e liberação de gases que são eliminados pela boca gerando um cheiro forte;
  • Outra causa é a fixação de corpos estranhos na boca como pedacinhos de madeira ou restos de ossos que iniciam um processo infeccioso levando ao mau cheiro;
  • Alguns animais adotam alguns hábitos estranhos como a ingestão de fezes (coprofagia) que levam ao mau hálito intenso;
  • Tumores na cavidade bucal também podem provocar a halitose.
No entanto, o problema mais comum que causa o cheiro desagradável na boca de cães e gatos é a doença periodontal.

Aproximadamente 85% dos cães com mais de 3 anos apresentam algum grau de Doença Periodontal. É mais frequente e mais precoce em cães de porte pequeno, porque os seus dentes estão mais juntos e talvez porque os seus donos têm tendência para os "mimar" mais com alimentação incorreta.

A doença periodontal consiste no acúmulo de placas de tártaro nos dentes e multiplicação bacteriana dessa placa dental causando uma infecção local. O cão e o gato apresentam características fisiológicas que propiciam maior facilidade de acúmulo da placa. A doença periodontal envolve os tecidos moles e duros que fixam as raízes e permitem a manutenção do dente firme na boca. 

periodontite-caes

Quando ocorre o problema, muitas vezes a estrutura do dente é alterada e ocorre o amolecimento ou queda do mesmo, causando muito desconforto ao animal tanto pelo fragilização do dente quanto pela gengivite que ocorre. 

O desenvolvimento da Placa Bacteriana é rápido, assim como o desenvolvimento de bactérias produtoras de mau cheiro, e o Tártaro forma-se numa questão de dias: podem-se observar depósitos de Tártaro a partir dos 8-9 meses de idade. Por isso, a adoção de hábitos de higiene oral o mais precocemente possível é muito importante.

O tratamento deve ser realizado sob anestesia com limpeza dos dentes, extração daqueles que estão comprometidos e polimento dos dentes restantes. Alguns dias antes da cirurgia indica-se tratamento com antibióticos que permanecerão após procedimento pelo tempo indicado pelo veterinário.

Outras causas de Halitose:

Outras causas menos comuns de problemas orais que originam halitose, e cujo diagnóstico deve ser feito pelo veterinário:
  • Estomatite Periodontal Ulcerativa Crónica, que causa úlceras na mucosa oral e léngua. Pensa-se que seja uma reacção alérgica à Placa Bacteriana. Raças predispostas: Cocker Spaniel, Cavalier King Charles Spaniel;
  • Tumores da boca e gengivas. As raças braquicéfalas (“focinho achatado”), principalmente os Boxers, são predispostas para um tipo especéfico de tumor benigno das gengivas denominado Epulis, que exige extirpação cirúrgica.
Apesar de menos frequentes, existem outras causas extra-orais que poderão causar mau hálito: 
  • Insuficiência Renal (mais frequente em cães idosos): o hálito adquire odor a amonéaco, e o cão pode apresentar úlceras na boca, para além de outros sintomas gerais, que podem ir desde uma pequena perda de apetite até vómitos, diarreia ou mesmo convulsões e coma. Procure imediatamente assistência médico-veterinária;
  • Diabetes complicada: o hálito adquire odor a acetona, e o animal apresenta-se gravemente doente, eventualmente com vómitos e hipotermia. Procure imediatamente assistência médico-veterinária.
  • Problemas do Aparelho Respiratório: Rinite e Sinusite;
  • Problemas do esófago: Megaesófago (dilatação do esófago – canal que conduz a comida da boca até ao estômago – com acumulação e estagnação de comida, que vai apodrecendo); Corpo Estranho alojado no esófago;
  • Dermatite Perioral: infecção bacteriana da pele nas proximidades da boca, que provoca odor desagradável. Dermatites no interior de pregas de pele (Intertigo) em raças com pregas junto à boca ou ao focinho (ex. Boxer, Bulldog, Shar-Pei) podem ter um odor extremamente pestilento, que o dono pode julgar erradamente ser mau hálito proveniente da boca;
  • Doenças Auto-imunes: Lúpus Eritematoso, Pemphigus (podem provocar ulcerações na mucosa oral, lábios ou ao longo do focinho; com o tempo podem infectar e libertar mau odor). São doenças pouco comuns.

A melhor forma de evitar que o cão desenvolva halitose e doenças bucais é a prevenção.

cachorro-higiene bucal

Lembrando que se o tártaro já está fixado, deve-se primeiro providenciar a profilaxia dentária para depois fazer a prevenção. 

Pode-se prevenir utilizando pastas dentais, aplicadas com a escova/dedeira, no mínimo, uma vez por semana.

Outro produto chamado Aquadent ® (marca Virbac) que é misturado na água também ajuda na prevenção do tártaro e redução da halitose. 

O fornecimento de brinquedos que estimulem a remoção do tártaro e ossos ajudam na prevenção.

É importante também atentar para alimentação do cão, alimentos muito moles tendem a se fixar mais nos dentes e promover a formação da placa dentária.
 
Próximo post: Quando começar a escovação e Como fazer?

Referências:





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