5 de agosto de 2011

Síndrome Braquicefálica I: Palato Mole Alongado.


Continuando a série de posts sobre os problemas respiratórios que compõem a sindrome braquicefálica

Foi feito um estudo onde foi verificada a prevalência das anomalias ou malformações anatômicas nos cães clinicamente afetados com a síndrome das vias aéreas braquicefálicas, sendo que o palato mole é excessivamente longo em aproximadamente 100% dos casos diagnosticados, sendo considerado uma  das alterações primárias nos cães braquicefálicos, e como tal podem ser diagnosticadas em animais jovens.

Acredita-se que o gene responsável pelo encurtamento do focinho não afeta os tecidos moles, assim, o focinho encurta, mas acarreta em um palato mole alongado.
Fonte: Vcahospitals
Em buldogues que apresentam o prolongamento, o tecido se estende além da borda da epiglote causando obstrução da rima glótica e interferindo na respiração, originando ainda, com a vibração do tecido pela passagem de ar, um edema inflamatório na faringe, a qual, muito provavelmente, seja a região de maior impacto, pois é uma área com pouco suporte cartilaginoso e ósseo.

O alongamento do palato mole pode ocorrer em qualquer raça, sendo um achado comum em cães braquicefálicos, como o bulldog francês. Essa afecção faz parte de uma síndrome frequente: a síndrome braquicefálica. 

O palato mole permite separar a cavidade nasal da oral e, por isso, quando o animal come, o palato mole fecha a cavidade nasal para que a comida não siga em direção retrógrada.

Nos braquicefálicos, o palato mole, quando alongado, conduz a um estreitamento da passagem do ar. Os buldogues acometidos podem apresentar juntamente às anormalidades do palato:
  • Estenose de narinas;
  • Eversão dos sacúlos laríngeos;
  • Aumento de tonsilas;
  • Edema na mucosa faríngea;
  • Hipoplasia traqueal;
  • Vários graus de colapso laríngeo.

Os sinais clínicos mais comuns são:
  • O frenchie engasga-se facilmente;
  • Dificuldade de deglutição;
  • Ruídos respiratórios fortes, especialmente sobre a inspiração (respiração interna);
  • Intolerância ao exercício;
  • Tosse seca;
  • Dispnéia (falta de ar), que depende do grau de estenose da faringe;
  • Síncope (desmaios), em casos mais severos;
  • Cianose (coloração azulada das mucosas).
Também é um dos causadores do ronco ao dormir, sendo que são vários os fatores que podem causar o ronco, não necessariamente um cão que ronca tem um palato mole alongado, até porque ruídos respiratórios são comuns no bulldog, mas tudo que é em excesso têm que ser investigado!

Muitos  cães com palato mole alongado preferem dormir de costas, provavelmente porque essa posição permita que o tecido do palato mole caia fora da laringe, permitindo uma melhor respiração.

Fonte: Photo by *Anu*
Em momentos de exercício físico, calor ou nervosismo a frequência respiratória aumenta, sendo assim o animal respira mais rapidamente e o palato mole alongado prejudica ainda mais essa troca respiratória rápida.

Por isso, deve-se ter um  maior cuidado para evitar a hipertermia no bulldog francês,  até mesmo porque eles já têm propensão, devido a sua anatomia, a sofrer de episódios de superaquecimento. Esse risco aumenta  consideravelmente em frenchies com palato mole alongado,  isso ocorre porque a passagem de ar pela boca pode se fechar com mais facilidade em casos de hipertermia. 

Diagnóstico:

Geralmente, cães braquicefálicos têm uma língua espessa, o que torna a visualização da laringe difícil em um bulldog acordado, e tentativas de conter o paciente e retrair a língua o suficiente para permitir a visualização da laringe são geralmente mal sucedidas.

Assim, o exame diagnóstico definitivo deve ser feito com o frenchie sob anestesia (esse procedimento deve ser feito por um veterinário qualificado para isso, já que o bulldog francês corre mais risco de morte durante processos anestésicos do que outras raças).

O palato mole alongado pode ultrapassar a ponta da epiglote (a entrada para as vias aéreas) por vários milímetros. Em casos graves, o palato mole se estenderá diretamente para a abertura da laringe. A ponta dele e as bordas da laringe estão muitas vezes inflamadas (inchadas e vermelhas). Nos casos crônicos, as cartilagens da laringe tornar-se inflexíveis e começam a entrar em colapso, diminuindo ainda mais as vias aéreas.

Tratamento: 

Anormalidades do palato mole devem ser tratadas se causam sofrimento ao cão, ou que causem risco de obstrução das vias aéreas, com risco de morte, até porque essas anormalidades tendem a se agravar com o tempo. Nesses casos, a ressecção cirúrgica do palato mole em excesso pode ser necessária.

Essa condição pode ser corrigida através de cirurgia indicada apenas após 1 ano de idade, a não ser em casos de extrema necessidade, e deve feita somente por um veterinário que tenha experiência nesse tipo de procedimento, pois se for mal feita pode causar danos irreversíveis.

A ressecção do palato mole é realizada utilizando uma lâmina de bisturi, tesouras, ou laser de CO 2,  e o excesso de tecido é removido com lâmina ou tesoura.

Fonte: Acvs
Novas  técnicas têm sido utilizadas, diminuindo os riscos da cirurgia.

Fonte: Hunt valley animal hospital
Poucos profissionais realizam esta cirurgia, logo, procure sempre aqueles que tenham experiência e equipamento adequado para operar seu bulldog. Procure conhecer quantas cirurgias deste tipo ele já realizou, em quantos buldogues, como estão os cães operados depois da cirurgia, como foi o pós-operatório desses cães... enfim, busque o máximo de informações antes de deixar seu bulldog francês nas mãos de alguém. 

Possíveis complicações após a cirurgia:

Imediatamente após a cirurgia os cães devem ser monitorados de perto. Inflamação significativa ou sangramento podem obstruir as vias aéreas, tornando a respiração difícil ou impossível. Ocasionalmente, um tubo deve ser colocado através do pescoço até a traquéia ("traqueostomia temporária") até que o inchaço na garganta diminua o suficiente para que o cão possa respirar normalmente.

Os animais são geralmente observados no hospital por, no mínimo, 24 horas. No pós-operatório podem ocorrer tosse e engasgos que são comuns. 

Em casos crônicos, em que as cartilagens já estavam inflexíveis, a remoção do palato mole alongado pode não proporcionar alívio suficiente, nesse caso, a criação de uma nova abertura permanente na traquéia (área do pescoço) pode ser a única solução (traqueostomia permanente), embora também existam muitas complicações associadas a este procedimento.

Prognóstico:

O prognóstico é bom em animais jovens, eles geralmente respiram com mais facilidade e têm uma redução significativa do desconforto respiratório, assim como seu nível de atividade também melhora.

Animais mais velhos podem ter um prognóstico menos favorável, especialmente se o processo de colapso de laringe já iniciou. Se o colapso de laringe está avançado o prognóstico é pobre, a menos que procedimentos adicionais sejam realizados para resolver este problema que é grave.


















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