25 de agosto de 2011

Síndrome do Cão Nadador em Buldogues.


A Síndrome do cachorro nadador ou cachorro plano, Swimming Puppy Syndrome ou Síndrome do filhote tartaruga, ou ainda hipoplasia miofibrilar, é um raro transtorno no desenvolvimento motor dos cães que se manifesta entre a 2ª e a 3ª semana de vida.

É caracterizada pela incapacidade de ficar em pé ou andar, com hiperextensão das articulações tíbio-femoro-patelar e tíbio-társica e hiperflexão bilateral da articulação coxofemoral, justamente quando o cão começa a movimentar-se mais.




O filhote acometido apresenta abertura dos membros dianteiros (26% dos casos) ou a abertura nos membros traseiros (menos freqüente: 8%), ou tetraplégico (em 50% dos casos os quatro membros ficam abertos e o filhote fica com o abdômen encostado no solo, posição conhecida como tartaruga ou pára-quedista.

Raças mais acometidas:

Raças pequenas tais como o Teckel, Yorkshire, West Highland White Terrier, têm sido descritas, porém o maior acometimento ocorre nas raças condrodistróficas de tórax largo e extremidades curtas, como o bulldog francês, inglês, basset hound.

Aparentemente não há predomínio sexual. Cães com tamanho normal ao nascer, porém que apresentam crescimento mais rápido que os demais, são susceptíveis e muitas vezes se trata do último animal que nasceu.

Fêmeas que já apresentaram um filhote com a síndrome também são susceptíveis a outros casos nas demais ninhadas. Afeta também os felinos, porém com menor freqüência.

Como é uma síndrome (conjunto de características que prejudicam de algum modo o desenvolvimento do animal), freqüentemente está associada a outras enfermidades como:
  • Genu recurvatum: é uma patologia ortopédica rara caracterizada pela luxação das articulações do joelho e jarrete. Pouco se sabe sobre sua patogenia e pode ser ligada à fatores genéticos e ambientais;
  • Pectus excavatum (latim para ´funnel breast´ ou peito chato): é uma anormalidade do esterno caracterizado por seu desvio dorsal e resultante compressão dorsoventral do tórax. 
Radiografia referente ao pectus excavatum. Fonte: (FOSSUM, 2002).


 Sopro cardíaco, dispnéia, cianose e regurgitação também podem ser observadas.

Causas:

A causa da síndrome é desconhecida, embora várias teorias tenham sido formuladas em situação irregular. Estas incluem:
  • Alterações na função da sinapse neuromuscular;
  • Mielinização inadequada ou retardada do neurônios motores periféricos;
  • Fatores ambientais (chão escorregadio);
  • Glicogêneses (deficiência em glicose-6-fosfatase perturbando o glicogênio do metabolismo muscular, foi informado na patogênese da doença de Splayleg em piglets);
  • Uma causa genética é possível, mas improvável, considerando a recuperação espontânea de muitos filhotes(90% dos casos se recuperam normalmente);
A etiologia da forma congênita é pouco compreendida. Teorias incluem diminuição do tendão diafragmático central, musculatura diafragmática anormal ou pressão intra-uterina anormal.

Aumento na pressão negativa intratorácica, secundário a enfermidades do trato respiratório superior e dispnéia inspiratória, pode fazer parte no desenvolvimento do pectus excavatum. Isso é comprovado pela representação da maioria dos animais braquicefalicos, pois vários desses animais possuem traquéias hipoplásicas concomitantemente.  
  • Uma causa dietética também está excluída, já que freqüência inicial não parece estar relacionada à composição da dieta da mãe. Porém, é notável a melhoria da condição de alguns filhotes depois de desmamarem, isso parece revelar a causa como uma alteração do leite da mãe.
Ausência de micotoxinas (principalmente zearalenone) como também a concentração de methionine, vitamina “E” e selênio deveriam ser monitorados na dieta da mãe de perto.

A suspeita recai sobre carência de "taurina" na dieta da mãe (aleitamento) como fator predisponente.

A carne vermelha (a principal fonte de taurina) deve constar na dieta da cadela GESTANTE e em aleitamento, pois, se a síntese da taurina poderia estar insuficiente no leite consumido pelos filhotes afetados pela síndrome do nadador, um cuidado redobrado deveria ser exercitado pelo criador.

As Indústrias fabricantes de ração para cães e gatos afirmam que a taurina é um ingrediente ESSENCIAL, portanto, obrigatório na fórmula de todas as rações, mas de fato o que tem sido constatado por criadores é que muitas doenças relacionadas a má nutrição grassam nos cães adultos e filhotes que se alimentam exclusivamente com ração industrializada seca (cálculo renal, câncer, hipotireoidismo, filhotes emaciados e, agora, a síndrome do nadador, entre outros exemplos).

Sinais Clínicos:
  • Precocemente observados animais acometidos pela síndrome, aparentam estar fracos pela falta de habilidade de ficar em estação e se movimentar;
  • Pela falta de suporte do esqueleto apendicular, há o resultado de uma compressão dorsoventral do tórax, abdômen e pelve, o que caracteriza o movimento de natação;
  • Podem ocorrer sinais de dispnéia em casos de grave compressão torácica;
  • Constipação como seqüela da compressão abdominal e pélvica;
  • Úlceras causadas pelo decúbito.
Diagnóstico:
  • Inspeção de sinais clínicos,
  • Posição dos membros torácicos e pélvicos;
  • Movimentação do filhote;
  • Exame neurológico normal;
  • Deve-se controlar as eventuais deficiências metabólicas, em particular a concentração de taurina no sangue da mãe e do filhote;
  • Exames histopatológicos do cerebelo de cães gravemente afetados;
  • Genu recurvatum e o próprio pectus excavatum geralmente são palpáveis, porém, as vezes é necessário exames radiológicos;
  • Sugere-se radiografar o animal para concluir se o esterno deste relaciona-se com a patologia;
  • Presença de sopro cardíaco inocente, comum em pacientes com este tipo de anormalidade e pode desaparecer após a correção deste distúrbio ou alteração na posição do paciente, por isso é chamado de sopro inocente;
  • Ruídos pulmorares e dispnéia.
Diagnóstico diferencial envolve:
  • Toxoplasmose, onde são necessárias provas sorológicas de detecção de IgG específicas maternas;
  • Neosporose, diferenciada por diagnóstico histológico e sorológico;
  • Deve-se excluir também todas as causas de meningoencefalites, espinha bífida e miopatias, por diagnósticos radiológicos, eletromiográfico, histológico e bioquímico;
  • Cinomose.
Tratamento:

Para o genu recurvatum, onde há abdução e hiperextensão dos membros pélvicos: o tratamento não é nada invasivo, trata-se de uma bandagem feita de esparadrapos em forma de 8 ou algema para conter os membros mantendo-os em posição anatômica dando maior estabilidade para se movimentar.

Demonstração da bandagem em forma de 8. (Fonte: Journal of Small Animal Practice, 2006).

Em relação ao tratamento cirúrgico da enfermidade genu recurvatum: faz-se secção do tendão do quadríceps do joelho e do tarso em flexão máxima possível, usando um fixador externo por 3 semanas, seguida de fisioterapia. Após a remoção do fixador, propicia as melhores chances de melhorar o arco de flexão do joelho

Ambiente: O local em que o animal vive deve ter piso antiderrapante a partir de 2 a 3 semanas de idade, de preferência macio para evitar que o esterno seja achatado ainda mais.

Alimentação: Pode-se também controlar a alimentação do filhote afetado afim de evitar o ganho de peso, o que pode fragilizar os membros traseiros.

Administrar vitamina E e selênio (o déficit no leite é pouco provável porém pode-se desconfiar de deficiência na absorção).

Reabilitação: Bandagens, balneoterapia e Fisioterapia (durante 10 minutos, 4-5 vezes diariamente), assim como a dedicação dos proprietários são importantes ao sucesso do tratamento

Fonte:Adote 1 vida

Para a enfermidade pectus excavatum existem os seguintes tratamentos:

Clínico: consiste em estimular os proprietários a realizar regularmente uma compressão medial a lateral do peito nesses filhotes. Caso o animal esteja gravemente dispnéico deve-se realizar a oxigenioterapia.

Cirúrgico: Existe a aplicação de uma tala externa na face ventral do tórax. Este tratamento é possível devido a pouca idade destes pacientes. Nesses jovens animais as cartilagens costais do esterno são maleáveis e o tórax pode ser reformado pela aplicação de tração no esterno usando suturas ao seu redor e colocação de uma tala rígida;

Bulldog inglês com bandagem para deformidade pectus excavatum e correção manual da hiperextensao de membros posteriores por abdução e rotação interna dos membros. (Fonte: Journal of Small Animal Practice, 2006).

O uso de colchão de água (travesseiro de água) mostrou ser eficiente: quando o externo demonstrar achatamento imediatamente o filhote deverá ser separado dos irmãos e ser colocado numa caixa contendo um colchão de água ao fundo (o colchão deve ser enchido na proporção de 70%). O filhote é reintegrado à mãe para realizar todas as mamadas.

Na maioria dos casos o contato com a superfície macia do colchão evita que as costelas degenerem, assim o filhote torna-se novamente saudável.

Pode-se realizar ainda:
  • Estimulação dos músculos das patas com uma escova de dente;
  • Acunputura;
  • Monitorar para que filhotes doentes durmam de lado, para prevenir achatamento de tórax adicional;
Prognóstico:
  • Em 90% dos casos observa-se cura sem seqüelas (estudo de 60 casos), incluindo casos com ausência de tratamento (10%);
  • O tamanho do animal funciona como fator prognóstico, sabendo-se que quanto maior o animal mais reservado é o prognóstico;
  • A enfermidade pode se complicar com uma broncopneumonia aspirativa, isso ocorre devido deglutição incorreta;
  • Em relatos de casos descritos por alguns autores os cães obtiveram 100% de sucesso. Em contrapartida, em outros casos de quatro animais um foi eutanasiado aos seis meses de idade por não apresentar nenhuma melhora no quadro, porém no momento do diagnóstico o animal já tinha três meses de idade;
  • A literatura destaca que as alterações freqüentemente regridem quando se atua de forma precoce. O prognostico é mais incerto quando são afetadas as quatro extremidades;
  • Quando em presença da enfermidade genu recurvatum, o prognóstico é ruim e a resposta à fisioterapia, liberação cirúrgica de aderências ou secção do quadríceps é geralmente frustrante;
  • Em relação ao pectus excavatum, o prognóstico é excelente para os animais sem doenças adjacentes com tratamento clínico ou cirúrgico realizado quando ainda jovens;
  • A prognose mais precária incide sobre filhotes de cães idosos, até mesmo se a condição de filhotes de 2 meses de idade provaram rápida e espetacular melhora dentro de três dias.
Prevenção:
  • Como profilaxia deve-se retirar da reprodução as fêmeas que já possuem filhotes que apresentaram a síndrome do cão nadador;
  • Controlar a alimentação da cadela gestante, administrando uma dieta balanceada;
  • Prevenir o achatamento dos cães enfermos mediante uma vigilância estreita, deixar o animal em um ambiente com chão antiderrapante e macio;
  • Faz parte da profilaxia e do trabalho de veterinários da área informar a criadores das raças mais acometidas como o bulldog inglês sobre a síndrome e sugerir a utilização de um colchão de palha coberto por um lençol nas caixas onde ficam os neonatos, para que possam se movimentar. Este colchão de palha dá suporte ao animal e diminui a força mecânica que o corpo tende a fazer diminuindo assim a compressão dorso-ventral do animal.


Fontes:
1. Labradornet
2. Stormbulls
3. Abc dos bichos
4. Micheletti, L. Síndrome do cão nadador. São Paulo, 2009.
5. X JORNADA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – JEPEX 2010 – UFRPE: Recife







Um comentário:

  1. Bom dia. Penso que a minha cachorra de raça bulldog tem pectus excavatum. ela já caminha normalmente, mas tem dificuldade em respirar, e o esterno tem curvatura para dentro. é preocupante? o que posso fazer?. ela está a dormir num colchão muito maleavel.

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