8 de setembro de 2011

Otite Externa em Cães: O que é e Quais as Causas? (Parte I).


O canal auditivo é vulnerável a qualquer mudança, alterações anatômicas e fisiológicas podem levar ao desenvolvimento de um microambiente que favoreça a proliferação de microorganismos. A própria flora natural da pele quando sofre alteração na temperatura e umidade prolifera-se de forma intensa e age como um fator perpetuante para a ocorrência de otite externa (OE).

A OE é uma doença de etiologia multifatorial, e não é mais vista como uma doença isolada do canal auditivo, mas sim como uma síndrome que freqüentemente reflete uma doença dermatológica sistêmica.

É considerada a doença de orelha mais comum em cães e gatos. Estima-se que em torno de 5 a 20% dos cães apresentam otite externa, sendo sua prevalência ainda maior em regiões que apresentam clima tropical, provavelmente próxima a 30 ou 40%.

Cães de qualquer idade ou raça podem ser acometidos pela doença, porém ela é mais comum em cães com orelha pendular (cocker spaniel, por exemplo), e com excesso de pêlos (poodle, bichon frisé, por exemplo).

Animais com predisposição a problemas de pele, como o bulldog francês, também são comumente propensos a desenvolver otite. Isso deve-se ao fato de que a pele que recobre a parte interna do ouvido é a mesma pele que recobre todo o corpo do animal, então qualquer doença de pele pode acometer também os ouvidos. As Doenças alérgicas são as causas primárias mais comuns de otite externa bilateral em cães.

A otite canina pode ser classificada em externa, média ou interna, de acordo com as estruturas anatômicas afetadas.

A orelha externa compreende o pavilhão auricular e o meato canal acústico externo, que é dividido em canal auditivo vertical (mais externo) e horizontal.

Fonte: Petcare

O canal auditivo externo possui epiderme semelhante à da pele, isto é, um epitélio cornificado estratificado, com órgãos anexos como os folículos pilosos, as glândulas apócrinas (ceruminosas) e as glândulas sebáceas (mais uma explicação do porquê os frenchies costumam desenvolver otite, devido aos problemas de pele recorrentes).         

A Otite externa, mais especificamente, corresponde à inflamação do pavilhão auricular externo, podendo haver comprometimento dos canais auditivos vertical e horizontal, sem, no entanto, ocorrer rompimento da membrana timpânica.

Quanto à apresentação clínica:

A OE canina pode ser classificada segundo sua apresentação clínica em:

  • Aguda;
  • Subaguda;
  • Crônica.
As duas primeiras (aguda e subaguda) são assim consideradas quando a doença tem menos de 30 dias de duração.

A otite canina externa crônica pode ser definida como aquela que persiste por mais de 6 semanas, sendo geralmente bilateral.Outros autores definem como otite crônica todas as infecções recorrentes ou contínuas com duração mínima de 6 meses.

Normalmente, cães com otites externas crônicas freqüentemente apresentam otite média, mesmo quando suas membranas timpânicas mostrem-se intactas, embora raramente o microrganismo isolada na orelha externa seja o mesmo da orelha média.

A otite pode, ainda, ser dividida em dois grupos:

  • Eritematosa e ceruminolítica: definida pela presença de eritema e cerúmen, sendo observada a presença de bactéria e/ou levedura no exame citológico;
  • Supurativa: determinada pela presença de pus, sendo observadas bactérias e polimorfonucleados no exame citológico.
Causas:

A otite externa canina pode ser determinada por uma combinação de fatores predisponentes, secundários, primários e perpetuadores.

1) Predisponentes: aqueles que aumentam o risco de otite. Dentre eles encontram-se:

Características anatômicas – alguns estudos sugerem que a umidade relativa do canal auditivo não predispõe algumas raças a desenvolver otite externa. Concluíram, também, que o tipo da orelha (pendular ou ereta) não afeta a retenção de calor e umidade dentro do canal auditivo com havia sido reportado anteriormente;

Fonte: Doggybook
Variações climáticas – Elevações na temperatura e na umidade do ambiente estão correlacionadas com o aumento dos parâmetros dentro do micro- ambiente auricular, aumentando a susceptibilidade a infecções dermatológicas por bactérias e leveduras. As alterações normalmente se manifestam clinicamente dois a três meses após a variação climática correspondente;

Limpeza excessiva das orelhas – A limpeza excessiva das orelhas pelos proprietários pode causar traumas mecânicos ao canal auditivo, principalmente quando realizada com material impróprio;

Doenças sistêmicas.

2) Primários: Os fatores primários são capazes de iniciar a inflamação. Ao se falar em causas primárias de otite é importante ressaltar que o epitélio do canal auditivo externo é simplesmente a extensão da pele do animal. Por isso, ao verificar lesões nas orelhas deve-se avaliar o contexto de todo o animal.

Lesões primárias no pavilhão auricular sem o envolvimento do canal auditivo externo podem ser uma extensão de um problema dermatológico generalizado. Porém, alguns fatores primários comuns podem estar limitados apenas na orelha, como os corpos estranhos, papilomas e algumas espécies de ácaros.

Os fatores primários incluem:

Parasitas – o ácaro Otodectes cynotis está envolvido em cerca de 5 a 10% dos casos de otite canina externa. Esse valor pode ser ainda maior no Brasil, visto que autores verificaram que 24,3% das otopatias em cães e gatos deve-se a otites parasitárias.
         
Outros ácaros podem também ser fatores primários de otite externa, como Sarcoptes scabei e Demodex canis (causador da sarna demodécica)

No Brasil o carrapato Rhipicephalus sanguineus é o ixodídeo mais encontrado na orelha externa de cães. As infestações ocorrem no período de maior temperatura e umidade relativa do ar, o que corresponde ao final do ano.

Corpos estranhos - Qualquer objeto pode causar irritação e obstrução do canal auditivo externo, geralmente causando otite externa unilateral. São exemplos de corpos estranhos a poeira, pequenas pedras, pêlos soltos, plantas, sementes, algodão. Geralmente eles causam mais desconforto quanto mais próximos à membrana timpânica estiverem, podendo chegar a rompe-la.

Tumores e Pólipos - Os tumores em orelhas ocorrem geralmente em cães idosos. Papilomas e adenomas das glândulas apócrinas (ceruminosas) são os tumores benignos mais comuns em cães, enquanto os adenocarcinomas das glândulas apócrinas e os carcinomas são os tumores malignos mais freqüentes.

Pólipos são estruturas benignas pedunculares que provocam inflamação crônica, podendo mimetizar sinais de otite externa, média ou interna (HAAR, 2005).

Hipersensibilidade - Destacam-se entre elas a atopia (Cerca de 50% dos cães com atopia apresentam otite externa bilateral, sendo que freqüentemente a otite externa é o primeiro sinal clínico da doença), a hipersensibilidade  alimentar (apresenta a otite externa como sinal em mais de 88% dos cães), a dermatite alérgica a picada de pulga (DAPP) e a alergia a medicamentos.

Alterações de Queratinização  - Doenças que causam distúrbios de queratinização, como seborréia idiopática primária e hipotireoidismo, são capazes de induzir otite ceruminolítica, elas provocam aumento da quantidade de cerúmen e dos ácidos graxos presentes no mesmo.

Pêntigo Foliáceo


Doenças Auto-imunes - Pênfigo Foliáceo e Lúpus Eritematoso Sistêmico são freqüentemente associados a doenças nas orelhas que se estendem ao canal auditivo.





Celulite Juvenil - É uma doença vesiculopustular que afeta filhotes entre 3 a 16semanas de idade. Sua etiologia é incerta, estando relacionada à reação dehipersensibilidade e/ou doença viral. Geralmente os filhotes apresentam lesões na cabeça e face, incluindo otite, blefarite e linfadenopatia regional.

3) Secundários:  aqueles que contribuem para a ocorrência de otites apenas em orelhas anormais ou em conjunção com fatores predisponentes;

4) Perpetuadores: resultam da inflamação provocando mudanças patológicas da orelha que impedem a resolução da otite. Destacam-se entre eles a infecção bacteriana secundária, a infecção leveduriforme, as alterações patológicas crônicas, a ruptura da membrana timpânica, a otite média, e os erros no tratamento.

Infecção Bacteriana Secundária - bactérias e leveduras da espécie Malassezia pachydermatis são freqüentemente creditados como fatores primários de otite, sendo que na maioria das vezes eles apenas participam como oportunistas e complicadores das mudanças iniciadas pelos reais fatores primários.
Uma variedade de bactérias comensais pode ser potencialmente patogênica,sendo Staphylococcus intermedius a espécie mais freqüente. Uma vez que osfatores primários e predisponentes causam alterações no micro-clima da orelha, bactérias são capazes de se multiplicar, perpetuando as reações inflamatórias dentro do canal.

Infecção por Leveduras - Malassezia pachydermatis é a levedura comensal da orelha do cão. Tem sido isolada em mais de 80% dos casos de otite externa, sendo um dos principais fatores complicadores das otites alérgicas.


Continua...




Fontes:
1. Revista veterinaria: otite-externa-canina
2. Dra priscila alves: Otites
3. Perfil de isolamento microbiano em cães com otite média e externa associadas - Scielo
4. Sovergs: AVALIAÇÃO DA OTITE EXTERNA PURULENTA E EVOLUÇÃO CLÍNICA FRENTE A DUAS FORMAS DE TRATAMENTO
5. AVALIAÇÃO DA PREVALÊNCIA INFECCIOSA E DA SENSIBILIDADE IN VITRO AOS ANTIMICROBIANOS EM OTITES DE CÃES - Escrito por: GIOVANA LAÍS RUVIARO TULESKI
6. Geac: Otite externa em caes e gatos
7. Ppg: Otite

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