9 de setembro de 2011

Otite Externa em Cães: Sinais Clínicos, Diagnóstico e Tratamento (Parte II).



A otite externa canina é a segunda doença mais comum, apresentando um aumento de 9,4% em cães desde 2006.

Sinais clínicos:



  • Sinais de inflamação como eritema (vermelhidão) da parte interna da orelha, edema (inchaço),
  • Ulceração na parte interna dos condutos;
  • Dor a palpação;
  • Presença de secreções nos ouvidos. Essas secreções podem ter um mau odor característico.
 


    Diagnóstico: 

    Quando há uma doença na orelha é indicado um exame sistemático e completo de todo animal, o qual deve sempre incluir:

    • Anamnese;
    • Exame físico;
    • Otoscopia e citologia da secreção auricular;
    • Cultura microbiana e antibiograma.
    • Biópsia:  indicada principalmente em casos de otites crônicas.

    Quando o paciente apresentar otite crônica é aconselhada a realização de exames complementares para investigar se há comprometimento da orelha média e/ou calcificação das cartilagens auriculares. Em geral 50% dos cães com otite crônica externa possuem a membrana timpânica rompida.

    Tratamento:

    O tratamento da otite consiste na identificação dos fatores predisponentes, primários e perpetuadores, além da limpeza do canal auditivo, terapia tópica adequada, terapia sistêmica quando necessária, educação do proprietário, acompanhamento do paciente, terapia de manutenção e terapia preventiva

    A terapia para otite canina externa pode ser iniciada após o exame citológico da secreção auricular, uma vez que o mesmo fornece muitas informações sobre os microrganismos envolvidos na otite.

    Um dos principais desafios do tratamento das otites caninas consiste em evitar sua cronicidade, que comumente se desenvolve devido ao uso indiscriminado de antibiótico.

    A medicação sistêmica em pacientes com otite externa geralmente está reservada para os casos crônicos ou recidivantes, devendo sempre estar associada à medicação tópica

    A limpeza das orelhas também  é fundamental para o tratamento da otite, uma vez que o excesso de debris e exsudato é por si só irritante, podendo ainda ocultar corpos estranhos que estejam produzindo a infecção.

    O excesso de pêlos pode ser periodicamente removido do canal auditivo, embora alguns autores não recomendem, pois este procedimento por predispor à otite. Além disso, por ser extremamente dolorosa, a remoção dos pêlos pode indispor o paciente a qualquer tratamento posterior nas orelhas.

    A medicação tópica sempre será requerida nos casos de otite externa, o tratamento antibacteriano tópico deve ser feito apenas quando há infecção primária ou secundária, sendo, nesse caso, apenas parte da terapia a ser empregada.


    A terapia médica para um tratamento bem sucedido da otite infecciosa pode variar amplamente dependendo do grau de alterações patológicas no canal auditivo externo, da condição da membrana timpânica e do microrganismo específico envolvido.

    Quando houver otite crônica externa associada à otite média a problemática é maior, porque o envolvimento da cavidade timpânica pode ser de difícil solução, sendo que nesses casos geralmente estão envolvidas bactérias com grande resistência a antibióticos.

    Embora as infecções por Malassezia sp. raramente tenham esse microrganismo com causa primária, a terapia antifúngica deve ser instituída para remover a infecção micótica, a fim de facilitar a investigação do fator que está estimulando diretamente a ocorrência da otite.

    Em muitas otites externas a aplicação de glicocorticóides é benéfica, pelo seu efeito antipruriginoso e antiinflamatório, diminuindo a exsudação, o edema, a secreção glandular e, inclusive, as alterações proliferativas crônicas.

    O tratamento da dor pode prevenir o desenvolvimento de otohematoma, que  consiste no acúmulo de sangue entre a cartilagem da orelha e a pele, muita vezes causado pelo fato do animal balançar excessivamente a cabeça devido à otite. Muitos produtos comerciais contêm pequena concentração de anestésico local, como procaína ou lidocaína, para amenizar a dor.

    Prevenção:

    A melhor maneira de não trazer problemas para o seu animal é a prevenção:

    • Durante o banho dos animais, devemos sempre colocar algodões nos condutos auditivos, para evitar a entrada de água, evitando um ambiente ideal para proliferação de bactérias e fungos;
    • Nunca use produtos para auxiliar a retirada dos pêlos auriculares, deve-se somente aparar os pêlos em excesso;
    • Nunca introduza cotonetes e pinças com algodão no ouvido do seu amiguinho. Além de ser desagradável pra ele, poderá ter otite devido ao trauma do objeto;
    • Limpeza regular, não excessiva, também atua de forma preventiva.

    Fontes:
    1. Revista veterinaria: otite-externa-canina
    2. Dra priscila alves: Otites
    3. Perfil de isolamento microbiano em cães com otite média e externa associadas - Scielo
    4. Sovergs: AVALIAÇÃO DA OTITE EXTERNA PURULENTA E EVOLUÇÃO CLÍNICA FRENTE A DUAS FORMAS DE TRATAMENTO
    5. AVALIAÇÃO DA PREVALÊNCIA INFECCIOSA E DA SENSIBILIDADE IN VITRO AOS ANTIMICROBIANOS EM OTITES DE CÃES - Escrito por: GIOVANA LAÍS RUVIARO TULESKI
    6. Geac: Otite externa em caes e gatos
    7. Ppg: Otite

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