19 de maio de 2014

Celeste e a Hidronefrose.

Antes de continuar com a historia da Cookie eu quero colocar a historia dessa menina-anjo que apareceu na minha vida:

Lembram quando eu falei que perdi uma menininha da ninhada? Bom, essa foi a Celeste (nome escolhido muito bem para ela).

Até hoje ainda é muito difícil lembrar dela, impossível não cair em lágrimas e ficar com o coração apertado.

Celeste sempre foi a menorzinha da turma, o que exigia mais cuidado para que ela não fosse "empurrada" pelos irmãos e pudesse se alimentar. Apesar disso, ela se desenvolveu normalmente. Mas depois de uns 20 dias comecei a ver um comportamento diferente dela. Ela era a mais quietinha, sempre num cantinho, encolhida... não achava aquilo normal.


Chamei o veterinário e falei sobre ela, era um tanto estranho o jeito dela em relação aos dos irmãos, será que ela não estava doente? A resposta, que me dá a maior raiva e indignação até hoje, foi: Não, ela é a menor, mais quietinha, esse é o temperamento dela! Se eu fosse escolher um filhote escolheria ela porque é mais calminha.

Aquilo, na verdade, não me entrou, temperamento?! Ele mandou dar vitaminas para ganho de peso. Mas apenas alguns dias depois ela começou a urinar sangue, quando liguei para o médico e falei isso ele ficou alguns segundos em silêncio e deve ter percebido a "burrada" que tinha feito. Se eu falei que não era normal e que achava ela doente o mínimo que ele podia ter feito era algum exame. Mas NADA!

Somente aí que ele pediu exames. Consegui coletar a urina dela, com muito trabalho, e mandar para cultura. Coisa óbvia que deu o resultado de uma infecção. A questão era: porque? Mais uma vez o veterinário foi negligente, simplesmente deu antibióticos e remédios para dor. 

Nesse momento decidimos que iríamos ficar com ela, ela era especial, precisava de cuidados e merecia isso, foi aí que veio o nome Celeste, também porque ela tinha uma mancha no peito que parecia um "C" invertido.



Depois de 5 dias de remédios ela não melhorava nadinha e o médico dizendo que tinha que dar por 20 dias e que as vezes demorava. Dessa vez não esperei! Não acreditei mais nele. O sofrimento daquele ser era visível e me deixava em desespero, ela não podia continuar assim. 

Levei em outro médico e pedi claramente: quero fazer um ultrassom! Ela estava com uma infecção fortíssima, urinava toda hora com muito sangue, estava parando de comer e de beber água. Normal isso não é!!

Queria saber a causa, e isso só olhando como estavam rins, bexigas e demais estruturas internas dela. E foi aí que veio o diagnóstico, definitivo e... fatal: Hidronefrose bilateral.

Nessa hora o veterinário que estava fazendo o exame me olhou com tristeza...e eu desabei a chorar. Mas será que não tinha mesmo jeito??!! Eu ia lutar... lutar por ela até o fim! Ela já fazia parte da família, era minha pequenina, e meu amor por ela era imenso.

"A hidronefrose se caracteriza por uma dilatação da pélvis renal, causada por obstrução parcial ou completa do fluxo da saída da urina em um ou nos dois rins em consequência da qual se estabelece hipotrofia por compressão do parênquima renal.

Muitos problemas podem causar hidronefrose, e isto pode ocorrer nos cães de todas as raças em qualquer idade. Não é uma doença em si, mas um sintoma causado por qualquer um de uma série de condições que podem afetar o sistema urinário de seu amigo canino, como: cálculos renais, as neoplasias, doenças retroperitoneal, traumatismo, ligadura acidental do ureter durante a castração, hérnia perineal, complicações de nefrectomia parcial ou de biopsia renal e ureter ectópico.

Quanto à sua duração, a obstrução pode ser aguda ou crônica, e na sua intensidade pode ser uni ou bilateral, parcial ou total, geralmente causando dilatação do sistema à montante do ponto obstruído, facilitando a estase urinária e propiciando infecções. Quando a obstrução é aguda, completa e bilateral, ocorrem alterações menos extensas nos rins, devido por seu período de sobrevivência pequeno. Na obstrução unilateral parcial ou total, o animal sobrevive o bastante para ter atrofia severa por pressão do parênquima renal e dilatação cística do órgão afetado.

Sintomas comuns incluem: Beber água e urinar em excesso, dor abdominal ou nas costas; urina com sangue; podem ocorrer sinais sistêmicos da doença: vômitos; diarréia; letargia e inapetência; tumoração renal, fístulas externas; peritonite supurativa difusa e desenvolvimento de choque séptico.”

A questão é: O que causou isso?!

Até hoje, infelizmente, ninguém soube dar a resposta definitiva e tudo ficou só nas hipóteses. Para descobrir teria que fazer uma necropsia, o que foi a ultima coisa que pensei naquele momento.

E o veterinário ainda me disse: Em  um ambiente natural, de seleção natural, ela já não teria sobrevivido aos primeiros dias, que estava viva só por minha causa. Pode isso?? Falar uma coisa dessas? Pode ser que, em um habitat diferente realmente poderia ocorrer a tal seleção natural, onde somente os "fortes" sobrevivem. Mas não ali comigo, e não a ninhada da Alana, claro que dei todo o suporte! Pra todos! E ele negligenciou a situação da Celeste SIM!

Então, voltando... realmente, o que me disseram, depois de tantas consultas e opiniões, é que não tinha jeito, o diagnóstico estava certo, os sintomas batiam com a evolução da doença. Se fosse somente em um dos rins poderia se tentar cirurgia, mas que mesmo assim provavelmente ela não iria resistir, pois estava fraquinha e era muito pequena.



Mas mesmo assim eu tentei, tentei tratar, um dos veterinários colocou ela no soro com medicação, mas não estava surtindo efeito. Eu fiquei ao lado dela todo o tempo. Mas ela estava sofrendo muito e tomar essa decisão foi uma das mais difíceis da minha vida até agora. 

Ela não comia mais, não bebia mais, vomitava toda hora, xixi e fezes quase nada e com muito sangue. Ela estava indo embora e com muito sofrimento.

Achei uma ótima veterinária, a Dra. Fernanda, que acompanha meus cães até hoje. Ela foi muito sincera, viu todos os exames, examinou muito bem ela e disse: Infelizmente não tem o que fazer, os rins estão parando e dar soro e medicação pra ela só vai "intoxicar" ainda mais o corpo dela, além de sobrecarregar algo que quase não funcionava mais. 

"A maior parte dos fármacos são parcialmente excretados pelo rim, logo a diminuição da função renal implica em uma alteração da distribuição, metabolismo, eliminação e biodisponibilidade do medicamento. A semi-vida dos fármacos eliminados pela urina é frequentemente prolongada em pacientes com insuficiência renal e reduzida nos pacientes que recebem diálise. A fim de evitar uma acumulação excessiva do fármaco no organismo e os seus efeitos adversos, deve-se reduzir a dose do medicamento, aumentar o intervalo entre as administrações, ou ambos, dependendo do perfil farmacocinético e da gravidade da insuficiência renal. Por outro lado, há que ter atenção na escolha do fármaco, pois alguns são por si mais nefrotóxicos que outros, podendo exercer efeitos tóxicos a nível renal como lesão nos vasos sanguíneos, nos glomérulos ou nefrónios-, ou levar a alterações do fluxo renal sanguíneo. A administração dos diferentes fármacos deve ser feita de acordo com o grau de função renal e a administração de fármacos nefrotóxicos nestes doentes deve ser evitada"

A enrofloxaxina foi o antibiótico receitado pelo primeiro veterinário:

"A enrofloxacina é parcialmente excretada por via renal, tal como todas as fluoroquinolonas, a excreção pode assim ser retardada nos indivíduos com lesões renais pré-existentes"

Eu tinha duas opções: uma era deixar ela ir da "melhor" maneira possível, deixá-la descansar. Outra era esperar mais alguns dias ela ir sozinha, porém a hidronefrose causa dores terríveis, então ela iria sofrendo...e muito. 

Tomei a decisão, muito difícil, de deixá-la ir em paz. Deixá-la agora nas mãos de Deus. O olhar, o momento... ainda hoje está tudo na minha cabeça, e é difícil não me emocionar  sempre que lembro. Escrever é custoso...

Ainda me culpo, por ter acreditado no veterinário e ter deixado ela sofrer tanto, quanta dor ela não sentia?! Ainda deram remédios para ela! Em um corpinho que não metabolizava mais nada, só "envenenava" mais ainda o sistema dela.

Foi muito triste, ainda é. Queria ter ela aqui comigo, queria ver ela crescer e brincar feliz, quando ela se foi tinha apenas pouco tempo de vida.

Mas, com certeza, ela vai estar sempre comigo, minha pequena Celeste, meu anjo lá no céu. E sei que um dia iremos nos reencontrar, sem doenças, sem dor, sem sofrimento...